Ano 7 – No 76 – Junho 2025
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Fala, professor! |
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O Jornalismo Ambiental e a síndrome da “baleia “encalhada” |
Outro dia, atento aos jornais da TV, como sempre estou (vício de jornalista!), dei de cara, mais uma vez, com um fato que se repete bastante e, ao mesmo tempo, me chama a atenção e me preocupa: a morte de uma baleia encalhada numa praia do Rio de Janeiro.
A reportagem concentrou-se, exclusivamente, na remoção da baleia para um local onde pudesse ser analisada por especialistas, dando destaque à dificuldade para erguer e transportar um “animal” de muitas toneladas. As imagens eram relevantes, mas nada havia mais a acrescentar.
Esta notícia lembrou-me de reflexões antigas em que abordava algumas síndromes da cobertura especializada em meio ambiente, e que podem ser aplicadas também a outros campos do conhecimento.
O Jornalismo Ambiental brasileiro tem se caracterizado, na prática, por algumas síndromes, equívocos formidáveis que têm impedido o cumprimento de suas inúmeras funções (informativa, pedagógica, de conscientização ou ativista). Dedicaremos aqui algumas linhas para abordá-las e seria importante ver a reação daqueles que nos leem. Estamos certos?
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Você Sabia? |
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Alunos de graduação da USP podem cursar, no 2º semestre, disciplina optativa de Jornalismo Especializado. Confira! |
Sintonizada com as demandas informativas que caracterizam o nosso tempo, o Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE), da ECA/USP, oferecerá, no segundo semestre de 2025, a disciplina optativa “A cobertura jornalística de temas especializados: teoria, prática e pesquisa (CJE0680),” com uma carga horária de 30 horas/aula, para o(a) aluno(a)s de graduação matriculado(a)s na Universidade de São Paulo. A disciplina será ministrada pelo professor Wilson da Costa Bueno, no prédio do Departamento de Jornalismo da USP, na Cidade Universitária, às segundas-feiras, das 14 às 15:45 horas.
A disciplina tem como objetivo destacar a importância da cobertura especializada em Jornalismo, em particular nas áreas de ciência, tecnologia e inovação, meio ambiente, saúde e agropecuária. O professor dedicará atenção especial às boas práticas de cobertura jornalística nestes campos, apoiado em cases atuais e relevantes, bem como à pesquisa realizada por investigadores brasileiros. Temas como mudanças climáticas, epidemias globais, biodiversidade e sociodiversidade, agrotóxicos, transgênicos, inteligência artificial e pseudociências estarão em debate, que promete ser recompensador.
O prof. Wilson Bueno é líder do Grupo de Pesquisa em Jornalismo Especializado (JORNESP), criado este semestre, certificado pela USP e que integra o Diretório dos Grupos de Pesquisa do CNPq.
Se você é aluno(a) de graduação de qualquer unidade da USP poderá cursar a disciplina, mas precisa estar atento ao início do período de matrículas. Informação importante: o número de vagas é limitado.
Conteúdo programático da disciplina
Os interessados podem conferir o programa da disciplina, a seguir:
Em busca de um conceito de Jornalismo Especializado
As várias modalidades do Jornalismo Especializado
A atuação dos lobbies na produção e divulgação de temas especializados
A desinformação e o negacionismo na cobertura jornalística especializada
As etapas de produção de uma reportagem em Jornalismo Especializado
A identificação das fontes legítimas em ciência, tecnologia e inovação
Jornalistas x pesquisadores/cientistas: a importância da parceria
A consolidação do Jornalismo Cientifico no Brasil: presente, passado e futuro
Os desafios da cobertura em Medicina e Saúde: epidemias globais, alimentos ultraprocessados e as pseudociências
Temas emergentes em meio ambiente: mudanças climáticas, insegurança alimentar, biodiversidade e sociodiversidade, poluição e microplásticos, dentre outros
O Jornalismo Especializado e os influenciadores digitais: o uso crescente de vídeos, blogs e podcasts
A capacitação em Jornalismo Especializado: o papel das universidades e das entidades científicas e profissionais
Os grupos de pesquisa em Jornalismo Especializado no Brasil
A formação do jornalista especializado: além da competência técnica
O mercado profissional para o jornalista especializado |
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O hábito da leitura vem caindo a cada dia. As redes sociais têm a ver com isso, mas não só elas! |
Reportagem publicada pelo Jornal da USP e assinada por Isabella Lopes, traz à tona um tema importante e que deve merecer a atenção de pais e educadores: a redução significativa do hábito de leitura no Brasil. Apoiada em estatísticas a pesquisa “Retratos da Leitura”, realizada no ano passado, mostra que quase 7 milhões de pessoas deixaram de ser leitoras e, dentre os fatores apontados, surge, com vigor, a questão da adesão maciça, sobretudo dos jovens, às redes sociais. A pesquisa concluiu que, nos últimos três meses, antes da entrevista, menos de 30% dos entrevistados (exatamente 27%) leram uma obra por completo, um dado que realmente é motivo de preocupação.
É costume admitir que esta situação se deve principal, e exclusivamente, à adesão maciça dos cidadãos, especialmente os jovens, às redes sociais, mas este fato não explica totalmente o fenômeno. Os entrevistados indicaram também como motivos a falta de tempo e mesmo (que sinceridade!) a falta de interesse pela leitura.
Como explica Carlota Boto, professora de Filosofia da Educação e diretora da Faculdade de Educação (FE) da USP, a leitura é importante porque nos coloca em contato com o nosso legado cultural e precisa ser incentivada desde a infância e os pais desempenham, neste sentido, um papel importante.
Segundo ela, conforme a reportagem, “A leitura possibilita para as crianças a independência em relação à cultura letrada. […] Possibilita o contato com o mundo da imaginação e com as narrativas”. Segundo ela, por meio da prática ocorre o desenvolvimento da postura crítico-criativa desde cedo”.
Ela ressalta também a contribuição valiosa dos professores e lembra que, na maioria das vezes os alunos leem o que eles indicam em sala de aula.
A reportagem traz, também, outros dados interessantes, como a existência de bibliotecas em apenas 30% das escolas públicas brasileiras, o que penaliza cerca de 18 milhões de estudantes nelas matriculados.
A professora Carlota Boto indica outros fatores que contribuem para a redução do hábito de leitura. “Somos uma sociedade multifacetada. Hoje, assistimos à televisão ao mesmo tempo que lemos um texto, ao mesmo tempo que estamos com o celular ligado ao lado, então, tudo isso vai, evidentemente, dispersar a concentração”.
Continua a reportagem: “Segundo ela, as atividades digitais são mais atrativas pela conectividade rápida e imediata, primordiais na chamada era da dopamina. Os aplicativos e interações on-line são feitos como forma de estímulo à liberação da dopamina, hormônio que dá a sensação de prazer e a busca constante por recompensas”.
Pais e educadores têm mesmo muitas razões para ficarem preocupados. E você?
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Pesquisa da USP revela o impacto da poluição do ar e das mudanças climáticas sobre as mamães e os bebês |
A abrangência e a intensidade do impacto das mudanças climáticas têm sido sentidas pelos cidadãos do planeta, estejam eles nas zonas urbanas ou rurais, nos países hegemônicos ou subdesenvolvidos. A cada dia, surgem novas pesquisas que revelam as consequências nefastas do aquecimento global, derivado da intervenção humana.
Da mesma forma, a poluição do ar compromete a saúde das pessoas, notadamente aquelas que residem nas cidades médias e grandes e regiões industriais.
O que deve ficar cada vez mais claro é que a poluição do ar e mudanças climáticas estão, muitas vezes, associadas e que, em função disso, o comprometimento da saúde é maior.
Artigo publicado por Mariana Veras e Paulo Saldiva, pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP, relatado em reportagem do Jornal da USP, e assinada por Gabriela Nangino, traz evidências de que esses dois fatores “apresentam riscos concomitantes para a mãe e para o bebê, como restrição de crescimento fetal e parto prematuro e também potenciais repercussões no bem-estar da criança a longo prazo, incluindo deficiências no neurodesenvolvimento e hipertensão.”
Mariana Veras esclarece que há impacto importante na saúde das mamães durante a gravidez. Segundo ela, fonte da reportagem do Jornal da USP, isso acontece especialmente porque “a contaminação por dióxido de enxofre (SO2), dióxido de nitrogênio (NO2) e material particulado (MP) predispõe à diabetes gestacional. O NO2 e o MP também influenciam na progressão de distúrbios hipertensivos da gravidez e da pré-eclâmpsia.” Além disso, o NO2 e o MP podem aumentar em até 15% o risco de infecções e de prematuridade, ou seja, o bebê nasce antes do tempo previsto, e também contribuem para diminuição do seu peso ao nascer.
O estudo também confirmou que “a exposição pré-natal a poluentes propicia malformações congênitas e obstáculos no neurodesenvolvimento da criança — como disfunções de memória e aprendizagem e retardo na aquisição de linguagem, habilidade numérica e funções sensório-motoras. Destaca-se relação com diagnósticos de transtornos do espectro autista, déficit de atenção e hiperatividade.”
A cientista da USP trouxe ainda elementos que reforçam o impacto das mudanças climáticas nas mamães e nos bebês. Por exemplo, segundo ela, o aumento de 1% na temperatura favorece o risco de um parto prematuro em até 5% e temperaturas elevadas contribuem para a redução do peso do bebê ao nascer. Há alguns estudos que evidenciaram “um aumento de natimortos em 5% por aumento de 1°C”, o que é dramático,
O artigo original, que pode ser acessado pelo link https://www.sciencedirect.com/, traz outras informações reveladoras que podem ser consultadas pelos interessados.
Recomendamos fortemente a leitura da excelente reportagem de Gabriela Nangino, disponível no link abaixo.
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Comtexto Comunicação e Pesquisa em ação |
As Políticas de Comunicação precisam ser atualizadas. O mundo da comunicação muda rápida e drasticamente
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AA maioria das empresas e organizações brasileiras, de maneira geral, não dispõe ainda de uma Política de Comunicação, abrangente e consensuada internamente, o que representa, na verdade, o desconhecimento da sua importância para o planejamento e a execução do esforço de comunicação institucional. Mas é preciso destacar, também, o fato de que muitas Políticas de Comunicação, já elaboradas pelas empresas, se desatualizaram ao longo do tempo. Inúmeros temas relevantes foram incorporados ao universo da gestão e da comunicação e precisam ser contemplados nos documentos que definem uma Política de Comunicação. É bem provável que, se sua empresa elaborou uma Política de Comunicação há pelo menos 5 anos, ela não incluiu questões como a comunicação da diversidade e da inclusão (acessibilidade também), a obediência aos princípios ESG, uma visão moderna do processo de gestão das mídias sociais e, sobretudo, a utilização da IA generativa na comunicação corporativa.
A Comtexto Comunicação e Pesquisa, que já orientou a elaboração de Políticas de Comunicação para mais de uma dezena e meia de empresas e instituições, está capacitada para atuar como parceira no processo de revisão/atualização da Política de Comunicação e, inclusive, para contribuir para a sua efetiva implementação. Caso sua empresa tenha interesse, entre em contato conosco pelo e-mail professor@comtexto.com.br ou pelo WhatsApp: (11)95340-6948. Estaremos à disposição para atender a esta importante demanda.
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Diretor da Comtexto reafirma, em palestra, o vínculo Indispensável entre Política e Planejamento da Comunicação
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O diretor da Comtexto Comunicação e Pesquisa, jornalista e professor sênior da ECA/USP, Wilson da Costa Bueno reafirmou, recentemente, em palestra realizada no curso sobre Comunicação Pública, promovida pela Aberje, a relação indissociável entre Política e Planejamento da Comunicação. Segundo ele, a Política de Comunicação representa processo (e instrumento) estratégico que define os princípios e diretrizes que orientam a comunicação institucional de uma organização, indispensáveis para subsidiar o planejamento e a execução da comunicação. As empresas que não dispõem de uma Política de Comunicação sistematizada, e consensuada internamente, encontram dificuldade para identificar os seus públicos estratégicos, definir instrumentos de avaliação e, sobretudo, alinhar as suas atividades de comunicação com os objetivos institucionais.
Se você tem interesse no tema, poderá acessar o vídeo integral do evento, disponível no YouTube, clicando no link abaixo. Uma observação: Adiante o vídeo até os 27 minutos, porque é exatamente nesse ponto que tem início a gravação propriamente dita do evento.
Link para ver e ouvir a palestra : https://lnkd.in/duxXcbzH
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Diretor da Comtexto integra Conselho Consultivo da RBJA
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A Assembleia da RBJA (Rede Brasileira de Jornalistas Ambientais, realizada no final de abril último, elegeu a nova diretoria para o biênio 2025-2027 e, também, deu posse aos membros dos seus Conselhos Fiscal e Consultivo. O diretor da Comtexto Comunicação e Pesquisa, prof. Wilson da Costa Bueno, integrará o Conselho Consultivo da Rede.
A diretoria da RBJA planeja a realização de inúmeras atividades, dentre as quais, merecem destaque o IX Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental e o Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo Ambiental (ENPJA), previstos para maio de 2026, no Rio de Janeiro.
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Clicando e aprendendo |
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Edição especial de Jornalistas & Cia destaca o papel do Jornalismo na luta contra as fake news |
Vale a pena consultar a edição especial de Jornalistas & Cia em homenagem ao Dia da Imprensa, dedicada ao debate sobre as fake news, com um rico e valioso material, e que deu sequência à proposta do ciclo “O presente e o futuro do Jornalismo – insights, realizado em maio passado, em São Paulo, com a parceria da ESPM.
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Temas complexos de Astrofísica para não iniciados: a contribuição valiosa de Marcelo Gleiser |
É pouco provável que aqueles que se debruçam sobre temas científicos, no Brasil e no mundo, não tenham ouvido falar num pesquisador brasileiro ilustre, que promove pesquisas, estudos e, em particular, contribui, de forma competente, para a divulgação no campo da Astrofísica. Sim, estamos nos referindo a Marcelo Gleiser que tem presença marcante em nossa época, com uma trajetória que já se estende por algumas décadas. Ele é professor titular de filosofia natural e de física e astronomia na Dartmouth College, EUA e foi o primeiro latino-americano contemplado com o Prêmio Templeton, conhecido como o Nobel do diálogo entre a ciência e a espiritualidade. Inúmeros livros seus já foram publicados por aqui, como “A dança do universo: dos mitos de criação ao Big Bang”, “Poeira das estrelas”. “Despertar do universo consciente”, “o fim da terra e do céu: o apocalipse na ciência e na religião” e muitos outros.
Recentemente, Marcelo Gleiser, com dois amigos, lançou o podcast The Blind Spot (O Ponto Cego), que é falado em inglês, mas tem legendas em português, o que facilita para todo mundo. Vale a pena acompanhar os episódios desta nova contribuição de Marcelo Gleiser e acompanha-lo pelo Linkedin. No seu perfil, indicado abaixo, há um pequeno vídeo de apresentação do novo podcast.
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RedeComciência reforça compromisso com a divulgação cientifica e o combate ao negacionismo |
Em tempos de fake news e de tentativas nefastas de ampliar a onda de negacionismo científico, devemos saudar (e muito) as iniciativas competentes para qualificar a divulgação científica em nosso país porque elas contribuem para a democratização do conhecimento científico e, certamente, para o processo de inclusão e promoção da cidadania.
Neste sentido, é imperioso registrar o trabalho valioso realizado pela Rede Brasileira de Jornalistas e Comunicadores de Ciência (RedeComciência), “uma associação apartidária e sem fins lucrativos que reúne profissionais interessados em discutir e melhorar a qualidade do jornalismo e da comunicação de ciência em nosso país.” Ela produz e distribui conteúdos relevantes de ciência, promove eventos, tem parcerias com O Observatório da Imprensa, a Rede Nacional de Combate à Desinformação e a Rede de Comunicação de Ciência e Tecnologia de Portugal.
Se você tem interesse em tomar contato com informações, experiências, projetos, práticas e pesquisas nessa área, vale a pena associar-se à RedeComCiência. e desfrutar das oportunidades e benefícios que a participação nessa comunidade qualificada proporciona. A anuidade é de 110 reais para profissionais e de 55 reais para estudantes.
A atual gestão da rede é integrada por Graciele Almeida de Oliveira (Presidente), Diogo Lopes de Oliveira (Vice-presidente), Clara Marques de Sousa (Diretora de Comunicação e Conteúdo), Jaqueline Sordi (Diretora de Relações Internacionais), Mariana Guenther (Diretora de Integração Nacional), Lucas George Wendt (Secretário), Monique Oliveira (Diretora de Rede) e Daniel Dieb (Tesoureiro).
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Expediente |
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Pensando a Comunicação fora da caixa é uma newsletter da Comtexto Comunicação e Pesquisa, empresa de consultoria nas áreas de Comunicação Organizacional/Empresarial e Jornalismo Especializado.
Editor: Wilson da Costa Bueno
E-mail para contato: wilson@comtexto.com.br
As informações podem ser reproduzidas livremente, mas solicita-se que, caso isso ocorra, a fonte seja citada. |
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