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No 78 – Agosto 2025
Pensando a Comunicação fora da Caixa
 
Fala, professor!
  O uso de IA pelo Google compromete a busca por Informação qualificada. Fuja dessa armadilha!

Se alguém tinha dúvida sobre a interferência das Big Techs no processo de divulgação de informações pelos meios de comunicação ou por fontes especializadas (universidades, institutos de pesquisa, revistas científicas, dentre outras), é importante reforçar que as provas de que isso efetivamente acontece são cada vez mais evidentes.

Relatório do Pew Research Center, publicado recentemente, constatou que os usuários do Google tendem a não visitar (ou visitar menos) páginas de pesquisa quando utilizam a plataforma que oferece, prioritariamente, resumo gerado por IA. Ele concluiu, após analisar os dados de 900 usuários americanos que participaram desta experiência, em março de 2025, que seis em cada dez entrevistados (58%) realizaram pelo menos uma pesquisa no Google que produziu um resumo gerado por IA. Raramente, ao receberem um material já elaborado, clicaram nos links que reportavam às fontes originais (estudos, pesquisas, notícias de jornais, revistas ou portais, por exemplo).

 

Leia a Reportagem:
Você Sabia?
  ECA/USP promove curso gratuito e on-line de divulgação científica para jornalistas e comunicadores

A Escola de Comunicações e Artes (ECA), da USP, promoverá, a partir de 1º de setembro, um curso de atualização em divulgação científica para jornalistas e comunicadores em geral, com a participação de renomados profissionais e pesquisadores. A iniciativa é resultado de uma parceria da ECA com a Superintendência de Comunicação Social (SCS) da universidade e o Instituto de Estudos Avançados (IEA).

O curso será gratuito, com aulas on-line, síncronas e semanais, às segundas-feiras, das 15h30 às 17h30 e oferece 100 vagas, com. inscrições abertas até o dia 20 de agosto próximo. Também serão oferecidas 50 vagas para os profissionais de comunicação que atuam na USP, dentro do programa IntegraCom, criado em 2023 para fortalecer a integração e a qualificação desses profissionais na Universidade.

Segundo material de divulgação do curso, publicado pelo Jornal da USP, o seu, objetivo “é promover a cultura científica entre comunicadores e jornalistas para reduzir a distância entre o conhecimento científico e a sociedade e contribuir para uma melhor compreensão do processo de produção da ciência.’

As aulas serão ministradas por professores da USP, como o físico Paulo Artaxo; a geneticista Mayana Zatz; o epidemiologista Carlos Monteiro; o psicanalista Christian Dunker; o diretor do Instituto de Relações Internacionais da USP, Pedro Dallari; o sociólogo Glauco Arbix; e o professor de Direito Internacional da Universidade, Umberto Celli Junior; além de profissionais da SCS. As palestras terão a mediação de jornalistas da grande imprensa, com experiência na área de divulgação científica.

A aula inaugural, intitulada “Espiral da Cultura Científica”, será apresentada no dia 1º de setembro pelo linguista e ex-reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Carlos Vogt, com a participação da diretora da ECA e do superintendente de Comunicação Social da USP, Eugênio Bucci, também docente da Escola.

Terão direito a certificado os alunos com mais de 75% de frequência no curso e que apresentarem, e receberem o conceito aprovado em trabalho baseado no conteúdo das palestras, que pode ser uma matéria para um meio impresso (jornal ou revista), podcast, vídeo ou ensaio.

Os interessados em participar do curso deverão apresentar cópia simples do diploma de ensino superior, currículo e cópia do documento de identidade. A seleção será por sorteio. Mais informações sobre o curso e sobre as inscrições podem ser obtidas no sistema Apolo.

Apolo:
 
A PL da Devastação compromete o nosso futuro, ao privilegiar interesses políticos e empresariais

Apesar da mobilização de pesquisadores, entidades e mesmo de parlamentares e alguns integrantes do governo Lula, o Congresso decidiu fazer o jogo dos grandes interesses empresariais, notadamente de alguns setores, como o agronegócio, a mineração, dentre outros, e flexibilizar (e até inviabilizar) as normas de licenciamento ambiental.

A campanha “Veta, Lula!” não surtiu o efeito esperado (os vetos do presidente atenuaram, mas não resolveram as graves ameaças ao meio ambiente), mas pelo menos alertou a sociedade sobre os riscos de alguns absurdos incluídos no projeto conhecido como PL da Devastação (PL 2159). Destacam-se, dentre eles, o autolicenciamento, o que significa colocar “a raposa para tomar conta do galinheiro”, o comprometimento dos recursos hídricos, a isenção para os bancos que financiam projetos que geram danos ambientais e por aí vai. O governo agiu bem ao garantir a consulta às comunidades tradicionais, ao reforçar seu apoio à proteção da Mata Atlântica, ao reduzir a adesão ao autolicenciamento, mas não conseguiu se libertar da pressão política de Alcolumbre e do senador Randolfe Rodrigues, ambos do Amapá, e interessadíssimos em permitir a exploração de petróleo no Amazonas e aumentar a receita do seu Estado (isso rende votos!).. Endossamos as palavras da ministra Marina Silva que, com todas as letras e com a coragem que a caracteriza, destacou que o PL 2159 é um tremendo tiro no pé promovido pelo Congresso e por setores do Governo, um verdadeiro cheque branco para a realização de crimes ambientais.

Convidamos todos os interessados na preservação do meio ambiente e comprometidos com a não repetição de tragédias, como as de Mariana e Brumadinho, a consultarem a carta publicada por pesquisadores brasileiros e do exterior na revista Nature. Lá estão escancarados os riscos inerentes à aprovação deste projeto. Recomendamos também a leitura atenta do material disponível no portal PL da Devastação.

Não precisaremos esperar o futuro para confirmar os prejuízos que o PL da Devastação acarretará para o meio ambiente, a saúde e a sobrevivência dos cidadãos brasileiros, notadamente os das populações vulneráveis (quilombolas, indígenas, habitantes da floresta, trabalhadores rurais, dentre outros). Infelizmente, saberemos, mais rapidamente do que podemos imaginar, que, mais uma vez, a ganância e a falta de compromisso com o interesse público acabaram prevalecendo, com a cumplicidade do Congresso e de autoridades nas esferas municipal, estadual e federal.

Os discursos hipócritas de defesa do meio ambiente comprometem o futuro do país e merecem o nosso repúdio. Dá, desse jeito, para acreditar que a COP30 trará grandes avanços para a governança ambiental global e representará compromisso efetivo com o futuro do planeta? A conferir.

Mais informações sobre a carta publicada pela Nature, explicitadas pelo professor Jean Metzer, da USP em texto no LInkedin.

 

Consulte o portal PL da Devastação:
 
Anúncios prometem emagrecimento rápido e engordam o bolso dos picaretas da saúde

Basta uma olhada, ainda que superficial, nos anúncios patrocinados que divulgam propostas de dietas e regimes para emagrecimento, e que frequentam portais de notícias considerados sérios (Uol), e as mídias sociais (Facebook e Instagram especialmente), além de campanhas em emissoras de rádio e televisão, para concluir que há informações nada sérias circulando livremente por aí, para iludir os incautos.

Vestido(a)s de branco, pretenso(a)s nutricionistas, especialistas em alimentação e saúde, (médico(a)s, em particular, divulgam remédios miraculosos que prometem combater as gordurinhas indesejáveis e promover a saúde do corpo e da alma.

Eliana Bistriche Giuntini, pós-doutoranda na Faculdade de Saúde Pública da USP, em reportagem do Jornal da USP (ver link ao final) destaca o poder de convencimento dos influenciadores que acabam induzindo as pessoas a adotarem dietas que, na prática, comprometem a sua saúde. Ela explica que “o problema é a divulgação dessas dietas milagrosas, principalmente essas muitas restritivas, quando há exclusão de algum nutriente. Porque muitas vezes você pode acabar tendo perdas de vitaminas e minerais”, essenciais para a saúde. “Ela critica o “discurso do emagrecimento rápido” porque ele “afeta diretamente a subjetividade e a relação das pessoas com a comida” e que, “no centro desta lógica, está a transformação do corpo em um cálculo matemático”, que se apoia na mensuração de calorias e não na qualidade da alimentação.

Eliana Guntini, de maneira correta, como reforça a reportagem do Jornal da USP, escrita por Sophia Vieira, postula a reeducação alimentar como um processo gradativo e inclusivo e critica a transformação da informação em mercadoria: “O ideal é que se coma de tudo, fazer refeições com vários alimentos, e quem quer emagrecer tem que ir reduzindo as porções do que gosta de comer gradativamente”.

A especialista adverte para o adoecimento psíquico resultante da desinformação. Como acentua a reportagem de Sophia Vieira, “a preocupante patologização da restrição alimentar extrema, até mesmo as intolerâncias alimentares viraram alvo de autodiagnósticos apressados, muitas vezes sem qualquer respaldo técnico”, o que, segundo Eliana, produz prejuízos importantes para o cuidado com a saúde, porque a insistência em promover um autodiagnóstico generalizado cria estigmas e exclusões desnecessárias, que acabam não recomendando a realização de exames para a análise de doenças que podem realmente estar presentes.

 

Leia a Reportagem:
 

Comtexto Comunicação e Pesquisa em ação

 

 

ENPJA reafirma a importância do jornalismo ambiental. As inscrições para evento on-line estão abertas.

 

O prof. Wilson da Costa Bueno, diretor da Comtexto Comunicação e Pesquisa, membro do Conselho Consultivo da Rede Brasileira de Jornalistas Ambientais (RBJA) e professor sênior da ECA/USP, fará a conferência de abertura do Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo Ambiental (ENPJA), marcado para o período de 24 a 26 de setembro próximo. O evento acontecerá na modalidade on-line e tem como tema a prevenção na pesquisa em jornalismo ambiental diante dos desastres.

O ENPJA é organizado pelo Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental (UFRGS/CNPq) e já se consolidou como um evento acadêmico voltado para a qualificação e promoção dos estudos e pesquisas que tem como foco a interface entre jornalismo e meio ambiente. A edição de 2025 conta com os apoios dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade do Rio Grande do Sul (PPGCOM/UFRGS) e da Universidade Federal de Santa Maria (POSCOM/UFSM), da Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental (RBJA) e do Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul (NEJ-RS).

A inscrição para a apresentação de trabalhos em diversas categorias (comunicações livres, iniciação científica) se encerra em 23 de agosto e a divulgação dos aprovados pela Comissão ocorrerá no dia 8 de setembro.

O(a)s interessado(a)s poderão fazer a inscrição no site, onde também encontrarão informações gerais sobre o evento (programação, normas para apresentação de trabalhos, dentre outras).

 

Grupo de Pesquisa em Jornalismo Especializado integra a base de dados do Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq

 

O Grupo de Pesquisa em Jornalismo Especializado (JORNESP), certificado pela ECA/USP e vinculado ao Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE), criado no primeiro semestre deste ano, já integra a base corrente do Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq.

O JORNESP tem como objetivo desenvolver pesquisas, editar guias, manuais, e-books, realizar eventos que tenham como foco a cobertura jornalística de temas especializados, em particular nas áreas de ciência, tecnologia e inovação, meio ambiente, saúde e agropecuária. Para tanto, busca estabelecer parcerias com entidades representativas destas áreas e integrar redes de informação em Jornalismo Especializado. Ele reúne pesquisadores, docentes, estudiosos, profissionais e estudantes com interesse e experiência nestas áreas.

Para o segundo semestre de 2025, o JORNESP desenvolverá um conjunto de atividades, estando prevista, por exemplo, a realização de uma pesquisa na área, coordenada pelo professor Wilson da Costa Bueno, líder do grupo, e a programação de um e-book sobre Jornalismo Especializado, com contribuições dos seus pesquisadores e de convidados. Estaremos, por aqui, divulgando maiores informações ao longo das próximas edições.

Quem tiver interesse em acessar maiores informações sobre o JORNESP, basta clicar neste link.

 

 
Clicando e aprendendo
 
  Pratique a diversidade. Acesse o Manual de Boas práticas antirracistas

A Rede de Jornalistas Pretos pela Diversidade na Comunicação, dentre muitas ações e iniciativas que merecem ser amplamente saudadas, lançou recentemente o “Manual de Boas Práticas Antirracistas”, que pode ser acessado, gratuitamente, para download.

A proposta é oferecer informação qualificada, defender posturas corretas no tratamento de temas que dizem respeito à comunidade, notadamente num momento em que o racismo, incentivado pela visão algorítmica dos bancos de dados, reforça a desigualdade e compromete a diversidade e a inclusão.

Concretamente, como pode ser conferido no portal da Rede JP de Comunicação, o manual apresenta “estratégias para combater a desinformação e os discursos discriminatórios, ferramentas para promover diversidade e inclusão na mídia, reflexões sobre vieses e representações raciais na comunicação, dados e pesquisa sobre a representatividade de jornalistas negros na mídia e glossário de conceitos-chave para uma comunicação antirracista”.

Não deixe de conhecer o Manual, de fácil leitura, tendo em vista sua perspectiva didática, e de acompanhar as ações exitosas da Rede de Jornalistas Pretos, contribuindo para a promoção da equidade digital, da soberania tecnológica e da justiça racial no ecossistema digital.

 

Download do Manual:
 
Participe do III Congresso de Comunicação Pública. Aracaju espera você de braços abertos. Vale a pena.

O III ComPública (Congresso Brasileiro de Comunicação Pública), que será realizado, em Aracaju, no período de 20 a 22 de outubro próximo, está com as inscrições abertas e espera receber um contingente qualificado de comunicadores, em particular os que atuam na área pública. O evento, uma iniciativa da Associação Brasileira de Comunicação Pública (ABCPública), tem como tema central "Emergência Climática e Direito à Informação", e será realizado em parceria com o Departamento de Comunicação Social (DCOS), da UFS (Universidade Federal de Sergipe. Ele tem como sede o Campus São Cristóvão desta universidade.

A programação ampla e diversificada inclui oficinas, minicursos, palestras, mesas-redondas e apresentações de artigos científicos e terá como conferencista na reunião de abertura do Congresso, a jornalista e pesquisadora Cilene Victor, uma das referências obrigatórias para quem estuda, pesquisa e pratica a comunicação de riscos e desastres.

 
Programação e Inscrições:
 
Aprenda a usar artigos científicos como fontes e evite ser traído por informações falsas em C&T&I

Todos sabemos da importância de recorrer a artigos científicos, de fontes confiáveis, que possam qualificar a divulgação de informações especializadas em áreas relevantes, como a ciência, tecnologia e inovação, em especial no tratamento de temas como meio ambiente, saúde, agricultura, dentre outros.

Reportagem publicada pela Folha de S. Paulo, no dia 7 de agosto último, assinada por Carl Zimmer, informa que tem crescido, vertiginosamente, o número de artigos falsos, “criados em escala industrial em países como o Irã e a Rússia” e que se constituem, efetivamente, em uma ameaça à divulgação científica. Segundo a reportagem, “Agora, as fábricas de artigos estão transformando a fraude científica em um negócio lucrativo. Cientistas ansiosos por incrementar seus currículos desembolsam de centenas a milhares de dólares para serem nomeados como autores de um artigo com o qual não tiveram nenhuma relação, segundo a cientista social Anna Abalkina, da Universidade Livre de Berlim (Alemanha), que estuda as fábricas de artigos.”

A saída para combater esta tendência criminosa é ter conhecimento do problema dispor de recursos para identificar os artigos falsos e denunciar aqueles que os promovem.

A este respeito, merece menção o artigo de César López Linares, publicado pela Latam Journalism Review, do Knight Center (ver link disponível ao final deste texto), que compartilha dicas importantes de 4 especialistas em Jornalismo Científico sobre a utilização de artigos científicos como subsídio para notícias e reportagens, a maioria das quais voltadas para a identificação de problemas que possam comprometer a credibilidade da cobertura.

As dicas se reportam a uma série de questões, que incluem o conflito de interesses e a falta de qualidade, e que podem ser evidenciadas pela leitura atenta dos artigos, mas também que sugerem ações relevantes para qualificar a sua utilização na produção jornalística.

O autor do artigo recomenda, baseado nos especialistas consultados, que os jornalistas entrevistem os autores, visando, em particular, esclarecer dúvidas, recorram à opinião dos pares, revisem a qualidade das revistas onde os artigos estão inseridos e, inclusive, acessem fontes além das revistas, consultando material disponível sobre o tema em centros produtores de conhecimento, como universidades e institutos de pesquisa. Os especialistas também sugerem que o jornalista entenda como funciona a ciência, qual é o seu ritmo, e que saiba determinar o tipo de estudo a que se reporta o artigo e que esteja familiarizado com a estrutura básica de um “paper”.

Numa sociedade marcada pela polarização, pela desinformação, pelo negacionismo e pela ameaça crescente de interesses extra científicos, essas recomendações são importantes porque, a todo momento, circulam textos que têm como objetivo solapar a credibilidade da ciência. Além disso, surgem protagonistas, como o “imperador” Trump, que acredita que o conhecimento deva ser submetido às posições e ideologias dos que se julgam o dono da verdade. A ciência é, certamente, o antídoto contra a truculência e a ignorância e é fundamental saber como recorrer a ela para enfrentar esses desafios.

 

Saiba Mais:
 
 
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Pensando a Comunicação fora da caixa é uma newsletter da Comtexto Comunicação e Pesquisa, empresa de consultoria nas áreas de Comunicação Organizacional/Empresarial e Jornalismo Especializado.
Editor: Wilson da Costa Bueno 
E-mail para contato: wilson@comtexto.com.br

As informações podem ser reproduzidas livremente, mas solicita-se que, caso isso ocorra, a fonte seja citada.
 
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