A divulgação científica avança no Brasil. Agora são os tiktokers da ciência que fazem sucesso.

Os comunicadores da ciência desempenham papel fundamental no processo de democratização do conhecimento e, cada vez mais, têm utilizado novos recursos, novas plataformas com o objetivo de cumprir esta importante missão.
De algum tempo para cá, com a consolidação das mídias sociais, a divulgação científica extrapolou os limites tradicionais, que incluíam apenas os meios de comunicação de massa, em especial jornais e revistas, rádio e televisão. Agora, ela representa esforço importante para atingir o público leigo a partir de blogs, canais de vídeo, podcasts, perfis de mídias sociais, como o Twitter, o Facebook e o Instagram. A última fronteira acaba também de ser consolidada, com a presença de notícias de ciência e tecnologia no Tik Tock.
A revista Pesquisa Fapesp, de janeiro de 2024, traz ampla reportagem sobre esta nova realidade, indicando alguns tiktokers que estão “na crista da onda”, com um número expressivo de seguidores.
Como lembra a reportagem, assinada por Sarah Schmidt, o TikTok foi a rede que experimentou o maior crescimento nos dois últimos anos, seguida pelo Instagram, e no início do ano passado (deve ter crescido muito de lá para cá) contava com mais de 80 milhões de usuários. Certamente, como assinala a autora da reportagem, a pandemia contribuiu para este incremento na medida em que estimulou o uso da comunicação digital, favorecida pelo aumento do tempo livre para os divulgadores da ciência.
Os comunicadores responsáveis tiveram um papel importante neste período porque contribuíram para o combate à desinformação, notadamente no que diz respeito às vacinas contra a Covid, ainda que tenham sido execradas pelo ex-presidente e seus aliados, inclusive médicos e associações da área da saúde..
Devemos saudar estas novas iniciativas que legitimam o pioneirismo na divulgação científica porque é sabido que a maioria dos brasileiros, especialmente os jovens, frequenta, com entusiasmo, as redes sociais e somente a partir dela tem a oportunidade de tomar contato com temas relevantes da ciência.
É recomendável, inclusive, que as entidades científicas e o Ministério de Ciência e Tecnologia estejam atentos a este processo e que promovam e incentivem os comunicadores científicos a manterem e a ampliarem a sua produção, com a concessão de bolsas e o financiamento de projetos.
Se você estiver interessado nesta temática, não deixe de ler a reportagem da revista Pesquisa Fapesp neste link. Lá poderá acompanhar o depoimento de tiktokers, como o físico Alexandre Rodrigues Barbosa (O Afrofísico), os biólogos Carlos Stênio, Juliana Moraes e Eduarda Melo, bem como os historiadores Jerson de Oliveira Fernandes Filho e Júlia Costa da Silva Pedroso, que criaram e mantém ativo e “bombando” o canal “Gole de História nas redes sociais”, com dezenas de milhares de seguidores no TikTok.
É importante ressaltar, finalmente, que boa parte dos comunicadores de ciência nas mídias sociais é constituída de profissionais, estudiosos e pesquisadores que não pertencem, prioritariamente, à área de comunicação (jornalistas especialmente). Este fato evidencia que a divulgação científica está ganhando novos adeptos e ampliando a sua audiência, o que merece o nosso reconhecimento e aplauso.
Wilson da Costa Bueno, Diretor da Comtexto Comunicação e Pesquisa, consultoria na área de Comunicação Corporativa/ Jornalismo Especializado.