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Não acredite em bobagens “científicas”.. A luta contra a desinformação continua!

Um número surpreendente de pessoas acredita em informações que circulam pelas mídias sociais (e também fora delas!) e continua propagando por aí narrativas que não condizem com a realidade e que apenas reforçam o movimento negacionista, uma perigosa praga contemporânea.

Os adeptos do terraplanismo, os que contestam a teoria da evolução, os que associam a vacina com doenças e até com mortes, os que acreditaram (e ainda acreditam), que a cloroquina cura a Covid-19, os que julgam que a ação humana nada tem a ver com o aquecimento global estão, no mínimo, em outra dimensão.

Confundir fé e ciência (que são territórios distintos e que devem ser respeitados, mesmo por aqueles que têm restrições a um e outro lado) representa postura equivocada e que apenas serve para fortalecer a onda de desinformação que grassa no Brasil e no mundo, com impacto considerável no processo de qualificação das informações.

Essa confusão é quase sempre potencializada voluntariamente por pessoas que fecham os olhos para as evidências científicas ou (desculpem a franqueza) são realmente inescrupulosas. Sim, muitas dessas pessoas não disseminam e dão guarida a informações equivocadas por falta de conhecimento, mas porque desejam impor visões completamente estapafúrdias que nada tem a ver com o mundo em que vivemos. São os verdadeiros vilões do conhecimento.

A comunidade científica, os divulgadores de ciência, tecnologia e inovação, os jornalistas e comunicadores em geral devem assumir o compromisso de desmentir estas teorias pseudocientíficas e apontar o dedo para os que insistem em propagar a desinformação.

Felizmente, há esforços que merecem ser saudados em todas as áreas e que têm contribuído para estimular a produção e a divulgação do conhecimento científico, editando publicações e promovendo pesquisas que estão em sintonia com a realidade, os fatos e as teorias científicas autênticas.

Neste sentido, comemoramos aqui o lançamento de mais de uma obra, resultado da parceria de Carlos Orsi e Natália Pasternack, que tem como objetivo desmistificar pseudociências que circulam, de maneira ostensiva, em inúmeros segmentos da sociedade e até mesmo naqueles que se consideram especialistas em determinados assuntos.

O livro, recém lançado pela Editora Contexto, intitula-se “Que bobagem!”, e, como indica Carlos Orsi, em artigo publicado na Revista Questão de Ciência, tem um caráter polêmico. Revelar, de forma sincera e lúcida, as intenções daqueles que cultivam bobagens nem sempre é uma tarefa fácil numa sociedade polarizada e que tem sido condescendente com os falsos cientistas e profetas.

A quem o livro se destina? Segundo Orsi, há duas respostas a esta questão: “a primeira resposta é à cultura em geral; queremos perturbar o “deixa-dissismo” epistêmico reinante e trazer certas questões que vinham sendo ignoradas, ou tratadas apenas entre entusiastas e especialistas, para uma arena mais ampla. Já a segunda depende de um entendimento da composição do público. Em relação a uma pseudociência qualquer, podemos dividir a população, de forma um tanto quanto grosseira, nos seguintes grupos: empreendedores, fanáticos, convictos, desinformados, curiosos, céticos e indiferentes.”

Temos a convicção que vale a pena ler este trabalho de fôlego (são 336 páginas), assim como consultar as outras duas obras dos mesmos autores (“Ciência no quotidiano” e “Contra a Realidade”), que já lemos com muito interesse. Estas publicações nos ajudam a oxigenar o espírito com boas informações e funcionam como uma vacina poderosa contra as bobagens “pseudocientíficas”.

É preciso explicitar para os que, desavisadamente ou de má fé, criticam a ciência porque ela não dá conta de responder a todas as questões uma verdade inconteste: a construção da ciência se faz passo a passo, ao longo do tempo, pelo trabalho competente e dedicado de pessoas (cientistas e pesquisadores) que buscam explicar o mundo e que, muitas vezes, também cometem erros. Diferentemente, no entanto, dos picaretas e dos ludibriadores eles estão empenhados em desvendar a realidade, ainda que ela represente um desafio aparentemente insuperável. Assumem as suas limitações e se juntam a outros colegas, que integram a comunidade cientifica, para a tarefa grandiosa de conhecer o mundo e compartilhar democraticamente as suas descobertas.

Aos que estão interessados em conhecer como a ciência funciona, mais duas dicas de leitura produtiva: 1) o livro “Dez teorias que comoveram o mundo”, de Leonardo Moledo e Esteban Magnani, publicado pela Editora Unicamp, em 2009; e 2) a obra imperdível de Carl Sagan, “O mundo assombrado pelos demônios”, da Companhia das Letras.

Desconfie das teorias e das narrativas falaciosas e coloque estas bobagens todas no lixo da história.

Observação importante: Os autores situam a Psicanálise no rol das bobagens científicas, mas preferimos não endossar as observações contra ela por dois motivos:
1) não temos conhecimento suficiente sobre a área e, portanto, não seria razoável nem ético, da nossa parte, rejeitá-la;
2) há comunicadores (estudiosos, pesquisadores) de prestígio comprometidos com as teorias psicanalíticas e seus autores (Freud, Lacan, Jung dentre outros), a quem respeitamos.  Não temos, por isso, condição nem autoridade para incluir a Psicanálise como uma bobagem científica.

Wilson da Costa Bueno, Diretor da Comtexto Comunicação e Pesquisa, consultoria na área de Comunicação Corporativa/ Jornalismo Especializado.